sábado, 6 de outubro de 2007

PM retira trailers de rodovias no Sertão

Publicada no JC

A Polícia Militar (PM) encerrou, ontem, a retirada de todos os 22 trailers policiais instalados às margens de rodovias que cortam o Sertão do Estado. A providência foi tomada em decorrência da morte do soldado Cícero José Xavier Guimarães, 39 anos, sentinela do posto de Belém de São Francisco, a 455 quilômetros do Recife, no início de setembro, que resultou na prisão do também soldado Romílson Faustino da Silva, 42, sob acusação de envolvimento na ação criminosa.

A remoção dos pontos fixos de bloqueio ocorreu em nove cidades: Arcoverde, Serra Talhada, Salgueiro, Ouricuri, Petrolina, Petrolândia, Cabrobó, Floresta e Belém de São Francisco. A partir de agora, o policiamento na região será feito por meio de viaturas. 22 trailers instalados foram remanejados e serão utilizados em ações de comando itinerantes nas áreas urbanas dos municípios sertanejos, em postos móveis de comando e na Operação Paz nos Bairros. O novo formato de policiamento abrangerá os seis Batalhões de Polícia Militar (BPM) e as três Companhias Independentes de Polícia Militar (CIPM) espalhadas pelo Sertão de Pernambuco. Dos 28 pontos de bloqueio, seis ainda permanecem.

A Associação de Cabos e Soldados de Pernambuco (ACS-PE) considerou a retirada dos trailers uma vitória para a categoria. Vistoria realizada mês passado pela entidade já tinha atestado a falta de estrutura dos postos. Fotografias dos locais inspecionados denunciaram os problemas enfrentados pela PM: barracas improvisadas, sem a mínima condição de segurança. Além disso, não havia energia elétrica, água e banheiro nos trailers.

“Nenhum trailer vistoriado oferecia condições dignas aos policiais. A classe estava desprotegida. Aquilo era uma invenção, só para que o policiamento fosse visualizado. Por isso, essa retirada é uma conquista para nós. Ficamos felizes”, declarou o diretor da ACS-PE, Luís de Melo, que também criticou o antigo modelo de policiamento. “No trailer, o policial ficava exposto ao perigo. Parada, a PM não estava sendo preventiva nem repressiva. Não funcionava. Vamos esperar os resultados da mudança”, avaliou.

Soldado da 1ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) de Belém de São Francisco que não quis ser identificado comemorou a remoção dos postos. Segundo ele, os PMs antes eram reféns dos criminosos. “Isso nos dá uma maior sensação de segurança. Nós não vamos mais ficar imobilizados esperando a morte chegar. O bandido antes sabia que estávamos ali. A gente era alvo”, comentou.

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