
Magno Martins, do Blog do Magno
Uma pendenga entre duas empreiteiras – a OAS e a Delta – paralisou a complementação das obras de uma ponte de 150 metros sobre o rio São Francisco, a 9 km do famoso Trevo do Ibó, no entroncamento dos municípios de Salgueiro, Belém do São Francisco e Cabrobó, no alto sertão pernambucano, a 600 km do Recife.
A ponte, que pode acabar de uma vez por todas com a chamada “indústria das balsas”, monopólio de um grupo que faz a travessia do rio, cobrando pedágio de R$ 40,00 a R$ 80,00 está pronta, é moderna e suntuosa. Mas “esqueceram” um detalhe: construir a travessia de pedestres.
Esqueceram, também, de acabar o pavimento do acesso até a ponte e há controvérsias em relação à largura da ponte. Operários que trabalharam na obra informam que num determinado ponto é impossível o cruzamento simultâneo de duas carretas. Polêmicas à parte, a verdade é que sem a ponte funcionar devido a esses equívocos, os caminhoneiros já pensam em organizar um protesto no Ibó.
“Tem política no meio disso tudo. Como pode uma ponte que era a nossa solução apresentar problemas já pronta”, questiona o caminhoneiro paranaense José Francisco Bezzen, 53 anos, que faz a travessia do Ibó pelo menos quatro vezes por mês, pagando R$ 80 de taxa, o que o faz desembolsar R$ 320 ao longo de 30 dias.
Indústria – Enquanto a ponte não sai, os “vaqueiros”, como são chamados os operários que trabalham duro na locomoção dos automóveis até as balsas, comemoram a permanência dos seus empregos. Há mais de 15 anos, com a descoberta do desvio que reduz em 200 km o trecho de Pernambuco até São Paulo, os “vaqueiros” ganham um salário por mês na empreitada.
Eles são remanescentes dos municípios próximos e temem o fim do comércio das balsas, porque a agricultura, falida, não permite sustentar as suas famílias. Elenilda da Conceição, 20 anos, trabalha como vaqueira e diz que junto com o marido José faturam dois salários mínimos por mês. “Em seis anos de trabalho, já ganhamos o suficiente para construir a nossa casinha. Com o fim das balsas, vamos ter que voltar para a roça”, lamentou.
Elenilda, José, Pedro, Francisco, enfim, cerca de 200 trabalhadores que atuam no ramo das balsas criaram a Associação dos Trabalhadores no Transportes Fluvial de Ibó e, já sabendo que, brevemente, perderão seus empregos estão encaminhando ao Governo um pedido de indenização. “Nós merecemos ganhar indenização. Afinal, é o governo que está tirando o nosso sustento”, diz Genivaldo Bezerra da Silva, 46 anos, presidente da entidade.
Esse exército de operários, que antes viviam da agricultura, trabalha dia e noite se dividindo em 25 balsas, que pertencem a um monopólio de Leandro e Júnior, como são conhecidos os donos das balsas. Na visita que o repórter fez ao local ninguém soube informar o paradeiro deles. “Um mora em Recife, o tal de Leandro, e o Júnior é daqui mesmo na região, mas a gente nunca os vê”, disse Sandro Silva, 17 anos, há oito anos atuando como “vaqueiro”.
Ao longo das 24 horas do dia corrido, porque a travessia funciona também pela noite, mais de três mil automóveis cruzam trevo do Ibó com destino ao centro-sul. “Tem dono de balsa aqui que fatura mais de R$ 3 mil por dia”, prevê Paulo César Gomes, que trabalha, simultaneamente, em cinco balsas.
Protesto – Quem chega ao local fica impressionado com o trânsito de carretas, caminhões pesados e até carros de passeio pela área. Se vier a funcionar, a ponte, além de acabar com a indústria das balsas, deve criar um novo corredor econômico na divisa de Pernambuco com a Bahia, entre Ibó, em Pernambuco, e Abaré, na Bahia.
Hoje, o movimento só não é maior porque muitos caminhoneiros preferem fazer a travessia pela ponte de Petrolina e Juazeiro. O trecho é bem mais longo, daí a pressa dos que querem economizar tempo e dinheiro, pressionando o Governo para colocar a ponte em operação o mais rápido possível.
“Se houve um erro de engenharia na ponte, a culpa é do governo, que não fiscaliza. O que nós estamos querendo é chamar a atenção do Governo programando um ato de protesto na beira do rio São Francisco”, diz o caminhoneiro Adauto de Oliveira Desdeuto, 46, de Santa Catarina, que desconfia de um acordo entre as empreiteiras que fizeram e não acabaram a obra e os donos de balsas.
A notícia de que a travessia do Ibó estava ganhando a ponte já contribuiu, inclusive, para o reforço do policiamento no trevo do Ibó, que tem fama nacional de ser apontado como o campeão em assalto a caminhões, principalmente no turno da noite. A Polícia Rodoviária Federal aumentou o seu efetivo no posto onde está o trevo rodoviário.
“A violência diminuiu, é verdade, mas não aconselho ninguém a viajar por essas bandas aqui pela noite”, diz o Sargento Albuquerque, guarda da Polícia Rodoviária Federal no posto do Ibó. Segundo ele, há mais de 30 dias não se observa uma ocorrência policial na área. “A última foi um ataque a um caminhão carregado de arroz”, lembra.
Uma pendenga entre duas empreiteiras – a OAS e a Delta – paralisou a complementação das obras de uma ponte de 150 metros sobre o rio São Francisco, a 9 km do famoso Trevo do Ibó, no entroncamento dos municípios de Salgueiro, Belém do São Francisco e Cabrobó, no alto sertão pernambucano, a 600 km do Recife.
A ponte, que pode acabar de uma vez por todas com a chamada “indústria das balsas”, monopólio de um grupo que faz a travessia do rio, cobrando pedágio de R$ 40,00 a R$ 80,00 está pronta, é moderna e suntuosa. Mas “esqueceram” um detalhe: construir a travessia de pedestres.
Esqueceram, também, de acabar o pavimento do acesso até a ponte e há controvérsias em relação à largura da ponte. Operários que trabalharam na obra informam que num determinado ponto é impossível o cruzamento simultâneo de duas carretas. Polêmicas à parte, a verdade é que sem a ponte funcionar devido a esses equívocos, os caminhoneiros já pensam em organizar um protesto no Ibó.
“Tem política no meio disso tudo. Como pode uma ponte que era a nossa solução apresentar problemas já pronta”, questiona o caminhoneiro paranaense José Francisco Bezzen, 53 anos, que faz a travessia do Ibó pelo menos quatro vezes por mês, pagando R$ 80 de taxa, o que o faz desembolsar R$ 320 ao longo de 30 dias.
Indústria – Enquanto a ponte não sai, os “vaqueiros”, como são chamados os operários que trabalham duro na locomoção dos automóveis até as balsas, comemoram a permanência dos seus empregos. Há mais de 15 anos, com a descoberta do desvio que reduz em 200 km o trecho de Pernambuco até São Paulo, os “vaqueiros” ganham um salário por mês na empreitada.
Eles são remanescentes dos municípios próximos e temem o fim do comércio das balsas, porque a agricultura, falida, não permite sustentar as suas famílias. Elenilda da Conceição, 20 anos, trabalha como vaqueira e diz que junto com o marido José faturam dois salários mínimos por mês. “Em seis anos de trabalho, já ganhamos o suficiente para construir a nossa casinha. Com o fim das balsas, vamos ter que voltar para a roça”, lamentou.
Elenilda, José, Pedro, Francisco, enfim, cerca de 200 trabalhadores que atuam no ramo das balsas criaram a Associação dos Trabalhadores no Transportes Fluvial de Ibó e, já sabendo que, brevemente, perderão seus empregos estão encaminhando ao Governo um pedido de indenização. “Nós merecemos ganhar indenização. Afinal, é o governo que está tirando o nosso sustento”, diz Genivaldo Bezerra da Silva, 46 anos, presidente da entidade.
Esse exército de operários, que antes viviam da agricultura, trabalha dia e noite se dividindo em 25 balsas, que pertencem a um monopólio de Leandro e Júnior, como são conhecidos os donos das balsas. Na visita que o repórter fez ao local ninguém soube informar o paradeiro deles. “Um mora em Recife, o tal de Leandro, e o Júnior é daqui mesmo na região, mas a gente nunca os vê”, disse Sandro Silva, 17 anos, há oito anos atuando como “vaqueiro”.
Ao longo das 24 horas do dia corrido, porque a travessia funciona também pela noite, mais de três mil automóveis cruzam trevo do Ibó com destino ao centro-sul. “Tem dono de balsa aqui que fatura mais de R$ 3 mil por dia”, prevê Paulo César Gomes, que trabalha, simultaneamente, em cinco balsas.
Protesto – Quem chega ao local fica impressionado com o trânsito de carretas, caminhões pesados e até carros de passeio pela área. Se vier a funcionar, a ponte, além de acabar com a indústria das balsas, deve criar um novo corredor econômico na divisa de Pernambuco com a Bahia, entre Ibó, em Pernambuco, e Abaré, na Bahia.
Hoje, o movimento só não é maior porque muitos caminhoneiros preferem fazer a travessia pela ponte de Petrolina e Juazeiro. O trecho é bem mais longo, daí a pressa dos que querem economizar tempo e dinheiro, pressionando o Governo para colocar a ponte em operação o mais rápido possível.
“Se houve um erro de engenharia na ponte, a culpa é do governo, que não fiscaliza. O que nós estamos querendo é chamar a atenção do Governo programando um ato de protesto na beira do rio São Francisco”, diz o caminhoneiro Adauto de Oliveira Desdeuto, 46, de Santa Catarina, que desconfia de um acordo entre as empreiteiras que fizeram e não acabaram a obra e os donos de balsas.
A notícia de que a travessia do Ibó estava ganhando a ponte já contribuiu, inclusive, para o reforço do policiamento no trevo do Ibó, que tem fama nacional de ser apontado como o campeão em assalto a caminhões, principalmente no turno da noite. A Polícia Rodoviária Federal aumentou o seu efetivo no posto onde está o trevo rodoviário.
“A violência diminuiu, é verdade, mas não aconselho ninguém a viajar por essas bandas aqui pela noite”, diz o Sargento Albuquerque, guarda da Polícia Rodoviária Federal no posto do Ibó. Segundo ele, há mais de 30 dias não se observa uma ocorrência policial na área. “A última foi um ataque a um caminhão carregado de arroz”, lembra.
Legenda: Ponte facilita travessia de caminhões e acaba com a chamada ‘indústria das balsas’
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